Zíper de vestido de noiva estoura e loja é condenada na Justiça

Graças as inúmeras tentativas de caber em seu vestido de noiva momentos antes de entrar na igreja, Derlane Marques, de 30 anos, viu o zíper da roupa estourar e o desespero bater forte. A noiva disse ter firmado o contrato de aluguel com a loja “Cris Noivas”, que fica localizada na Rua Aviador Comercial, em São Sebastião, no Distrito Federal, meses antes do seu casamento, no dia 24 de maio de 2014. No dia 9 de setembro de 2014 (quatro dias antes da cerimônia) ela foi fazer os últimos ajustes em seu vestido de noiva e estava tudo bem.

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Noiva vestido estourado

Zíper de vestido de noiva estoura e loja é condenada na Justiça (Foto: Divulgação)

“Até pedi pra ela não apertar mais, queria ter liberdade e ficar confortável no meu casamento. Mesmo assim, parece que ela não atendeu o meu pedido. No dia tão esperado por mim e meu noivo, simplesmente o vestido não cabia e o zíper até estourou”, disse a noiva em entrevista ao portal G1.

Zíper de vestido de noiva estoura e loja é condenada na Justiça

Diante dos argumentos da noiva e da falta de provas apresentadas que comprovasse o contrário por parte da loja de locação de vestidos de noiva, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou, por unanimidade, a proprietária do estabelecimento comercial a pagar R$ 2 mil à noiva que disse não ter “conseguido entrar em seu vestido”. De acordo com Derlane, os ajustes supostamente realizados em seu vestido de casamento aconteceram sem o seu consentimento.

Proprietária nega erro

A proprietária da loja “Cris Noivas”, Maria Cristina Vasconcelos, de 42 anos, alega que nada foi mudado no vestido de noiva de Derlane, e que inclusive, a última prova realizada dias antes do casamento mostrou que tudo estava em perfeita ordem, sem a necessidade de ajustes adicionais. O valor pago pelo aluguel do vestido foi de R$ 1,5 mil (R$ 500 a menos do que a loja foi condenada a pagar de indenização à noiva).

vestido de noiva errado

Momentos de desespero vivos por Derlane ao perceber que o vestido estava ajustado de modo diferente do que ela combinou com a costureira (Foto: Divulgação)

Momento de terror antes da entrada na igreja

O casamento da empregada doméstica Derlane estava previsto para começar às 19h30, mas diante do imprevisto com o vestido de noiva ela só conseguiu entrar na igreja após às 21h. Desesperada, a noiva tentou ligar para a proprietária da loja de locação de vestidos de festa, mas não obteve retorno.

“Eu já estava toda arrumada e maquiada, minhas daminhas de honra e madrinhas também. Foi um desespero quando o vestido não entrava de forma alguma. Minha fotógrafa e cabeleireira foram atrás de Maria e nada foi resolvido. Tivemos que abrir a costura do vestido com uma tesoura e corremos atrás de linhas e agulhas. Por minutos, pensei em desistir do casamento”, contou Derlane ao portal G1.

Derlane vestido de noiva

Derlane contou com a ajuda das amigas e profissionais que estavam trabalhando em seu casamento para solucionar o problema (Foto: Divulgação)

Confusão após o casamento

Depois do transtorno sofrido em seu casamento, Derlane voltou à loja para devolver o vestido e perguntar sobre as modificações no manequim da roupa que foram feitas, supostamente, sem a sua autorização. Segundo a noiva, ela foi mal atendida pela proprietária, que alegou não ter mexido no vestido e ainda acusou a noiva de ter engordado.

“Mesmo se eu tivesse engordado 5 kg ela não teria nada a ver com isso. Como se engorda em quatro dias? Não tem como. Me preparei durante quatro meses para o casamento e ela parcialmente destruiu  meu sonho. Maria nega e diz que não mexeu em nada. Isso é impossível”, argumentou Derlane em entrevista ao portal G1.

Para Maria (a proprietária da loja de locação de vestidos) a loja cumpriu com o contrato e ela alega não ter chamado a sua cliente de gorda. “Estou com a consciência 100% tranquila. Trabalho há 15 anos e sei de todas as minhas responsabilidades. Por que mexeria em algo que já está tudo certo? Não tem lógica”, respondeu Maria ao portal G1.

A 3ª Turma Recursal do TJDFT concluiu que porque o vestido de noiva foi locado por R$ 1,5 mil e a noiva o utilizo no casamento, independente de qualquer problema ocorrido, a proprietária da loja deveria restituir o valor de R$ 750 (referente a 50% do valor pago), a título de abatimento do preço.

Já para o advogado da noiva, Caleb Rabelo, Derlane foi vítima de uma má prestação de serviço, pois Maria entregou o vestido costurado no manequim diferente do que a noiva solicitou e também não prestou ajuda durante a cerimônia para resolver o problema.

“Minha cliente só conseguiu usar os adornos de noiva depois da colaboração de pessoas não habilitadas. Isso quase estragou um dia tão esperado e planejado. Com certeza, a falha da loja deve resultar em danos morais”, concluiu o advogado da noiva ao G1.